
Skills First: como colocar habilidades no centro da gestão de talentos
Entenda como a abordagem Skills First pode ajudar a atrair e reter os melhores talentos em sua empresa!
Recursos Humanos
16 minutos de leitura
Por Julia Silva
Última atualização em 2 de abril de 2025
Você já notou que as descrições de vagas de emprego mudaram ultimamente? Muitas empresas agora seguem o princípio do Skills First, que começa a focar mais em habilidades do que em diploma ou experiência.
Esse conceito é interessante, mas também tem trazido uma série de desafios para os modelos tradicionais de contratação e gestão de talentos.
Ao mesmo tempo, a mudança acompanha o mercado de trabalho e busca lidar com as transformações digitais e econômicas da melhor maneira. Para entender tudo sobre o tema e como usá-lo a seu favor, continue com a gente!
A abordagem Skills First é uma reorientação da forma como as empresas buscam e gerenciam seus talentos. Em vez de buscar credenciais acadêmicas e até experiência de mercado, o foco se volta para habilidades, tanto hard (técnicas) quanto soft (interacionais, sociais).
Quando isso acontece, há uma mudança completa no paradigma do Recrutamento e Seleção, que impacta o processo de contratação, bem como o desenvolvimento e a retenção de talentos.
É importante destacar que não há melhor abordagem entre prezar por credenciais ou por habilidades. Hoje, o que determina o que melhor funciona é o setor e o tipo de atividade.
Geralmente, empresas de tech, mais envolvidas em transformação digital e mais flexíveis por natureza, gostam de contratar com base em conhecimento e em habilidades práticas.
Ao passo que setores mais tradicionalistas, como o Direito, tendem a procurar experiência e formação acadêmica.
Então, Skills First é um conceito que passa por todas as etapas da jornada do colaborador:
Na contratação, frequentemente as habilidades práticas são consideradas como critérios primordiais e podem ser testadas com dinâmicas e atividades específicas. O objetivo é entender se o candidato realmente sabe fazer aquilo que a empresa precisa que ele faça.
Da mesma forma, devem existir mecanismos para atestar habilidades sociais e comportamentais. Para isso, as empresas podem adotar ferramentas, como:
Depois que alguém é contratado e passa pelo onboarding, o desenvolvimento é, então, focado em ajudar os profissionais a expandirem o set de habilidades.
Com isso, é possível reter mais talentos, pois a empresa atua significativamente no crescimento e na evolução deles e ganha sua satisfação. Essa vantagem é provada por dados: 94% dos colaboradores valorizam empresas que investem na sua capacitação.
A adoção do modelo Skills First é uma transformação cultural completa no modo como as organizações identificam, contratam e desenvolvem talentos — e isso você já entendeu nos tópicos anteriores.
Mas como iniciar essa transição? Entenda a seguir.
O primeiro passo para implementar o Skills First é entender quais competências são fundamentais para o sucesso da sua organização. Isso exige um processo estruturado de avaliação de competências, que pode incluir:
Com a complexidade crescente das demandas de mercado, contar com tecnologia para gerenciar e analisar dados é essencial.
Por isso, plataformas de People Analytics avançadas e outras ferramentas de análise podem transformar como as empresas lidam com o modelo Skills First. Para citar alguns exemplos:
Além disso, tecnologias de automação ajudam a reduzir a carga operacional do RH, o que permite que os profissionais se concentrem em iniciativas que agregam mais valor à organização, como programas de reskilling (requalificação, com foco na capacitação para outra área) e upskilling (especialização, que prioriza o desenvolvimento específico na mesma área).
Inclusive, segundo o relatório da PwC, 77% dos executivos defendem que a empresa deve investir no desenvolvimento dos seus colaboradores (upskilling).
No contexto Skills First, investir no desenvolvimento contínuo de habilidades não é mais opcional. Estratégias bem-sucedidas de reskilling e upskilling fortalecem a capacidade da organização de enfrentar desafios futuros. Algumas práticas que podem ser adotadas são:
A implementação de um modelo centrado em habilidades gera benefícios concretos tanto para as empresas quanto para os colaboradores.
Empresas que adotaram essa prática, como a Cisco, já colhem resultados positivos. No estudo de caso da OneTen, a Cisco demonstrou como o foco em competências específicas viabilizou a contratação de profissionais de grupos minoritários e altamente qualificados para posições-chave.
Vejamos alguns dos benefícios específicos.
Ao priorizar competências em vez de qualificações tradicionais, as empresas conseguem acessar um pool de talentos muito mais amplo e diversificado, como reforça o relatório FutureJobs, do Fórum Econômico Mundial.
Essa abordagem preenche lacunas de mão de obra mais rapidamente e também reduz os custos associados ao recrutamento tradicional.
Segundo Relatório do LinkedIn, 88% dos contratantes disseram que perderam grandes talentos por conta da exclusão com base em diplomas ou experiência. Ou seja, muita gente boa deixa de ser contratada devido a esse filtro.
Segundo outro relatório do LinkedIn, com o Skills First, é possível aumentar em 24% a proporção de contratação de mulheres em setores em que elas não ganham oportunidades iguais.
Ampliar a diversidade é uma necessidade e vantagem competitiva, e o Skills First tem o potencial de romper barreiras de entrada tradicionais.
Isso acontece porque, ao priorizar habilidades, sejam técnicas ou comportamentais, essa nova abordagem permite incluir talentos de diferentes origens socioeconômicas, culturas e trajetórias profissionais que não tiveram acesso às oportunidades tradicionais, mas podem agregar perspectivas muito valiosas.
Por exemplo, o caso já citado da Cisco demonstrou que, ao remover o foco exclusivo em diplomas, é possível contratar uma força de trabalho mais diversa.
Contratar com base em habilidades diminui a necessidade de treinamentos extensivos para novos colaboradores, o que reduz significativamente os custos totais de recrutamento.
Ao mesmo tempo, a abordagem Skills First permite identificar talentos internos que já têm as competências indispensáveis ou que podem ser facilmente desenvolvidas. Isso reduz a dependência de contratações externas e otimiza o uso de recursos existentes.
Aí, com menos investimentos em longos processos de seleção e treinamentos iniciais, as organizações conseguem direcionar orçamento para outras iniciativas estratégicas.
Quando as equipes têm um conjunto diversificado de habilidades, a inovação se torna um subproduto natural. Afinal, a combinação de perspectivas variadas e competências complementares cria um ambiente fértil para ideias disruptivas.
Além disso, ao priorizar habilidades, o conceito de Skills First também incentiva a criação de times multifuncionais, os famosos squads, em que colaboradores com expertise técnica, criativa e operacional trabalham juntos para resolver problemas complexos por meio da troca de conhecimentos.
Adotar o modelo Skills First em uma organização não é tão simples quanto colocar o plano no papel. A transição requer esforço coordenado, uma visão clara e a superação de barreiras técnicas e culturais.
Vamos explorar os desafios mais comuns dessa jornada e mostrar como enfrentá-los, de forma prática e eficaz.
Muitas empresas se perdem ao tentar definir quais competências são realmente importantes para alcançar seus objetivos estratégicos. Sem um sistema estruturado, o resultado é a falta de clareza sobre o que priorizar.
A solução passa por investir em ferramentas e metodologias específicas.
As taxonomias de habilidades (Skill Taxonomy), como as recomendadas pelo Fórum Econômico Mundial, ajudam a categorizar competências e alinhar objetivos organizacionais com as demandas do mercado.
Fazer mapeamento de competências organizacionais e compará-lo com os objetivos gerais de negócio é outro recurso indispensável. Com essa visão, dá para identificar habilidades existentes, comparar com as que faltam e traçar um plano de ação claro.
A mentalidade tradicional, que prioriza diplomas e trajetórias mais lineares, é um dos principais obstáculos. Muitas lideranças ainda hesitam em adotar o Skills First por medo do desconhecido ou receio de romper com práticas estabelecidas.
A chave está em engajar as pessoas no processo e mostrar os benefícios de forma clara e prática, baseada em dados.
Treinamentos e workshops podem sensibilizar lideranças e equipes para a importância do modelo Skills First. Use estudos de caso e exemplos de sucesso, como o da Cisco, para ilustrar o impacto positivo.
A comunicação transparente também é fundamental. Mostre como a mudança beneficia a organização e os colaboradores, como maior inclusão, mais oportunidades de desenvolvimento, aceleração dos processos seletivos, e por aí vai.
Quando todos entendem o "porquê" e as vantagens por trás do modelo, a resistência cultural começa a se dissolver.
Medir e avaliar habilidades de maneira consistente é outro desafio técnico para muitas organizações. Testes inadequados ou avaliações subjetivas podem colocar em risco a eficácia do modelo em momentos-chave, como em ciclos de avaliação de desempenho.
Para solucionar esse problema, use frameworks de avaliação e ferramentas práticas que tornem o processo mais confiável.
O método STAR (Situation, Task, Action, Result), amplamente utilizado em entrevistas, ajuda a avaliar competências de forma objetiva. Ao passo que testes práticos e simulações ajudam a validar habilidades em cenários reais, que fornecem dados mais concretos.
Além dessas alternativas, plataformas de avaliação online, como as integradas a sistemas de gestão de talentos, também são úteis, pois oferecem insights detalhados e comparáveis.
Sem as ferramentas certas, ou com a subutilização da tecnologia disponível, a implementação do Skills First fica comprometida.
Para lidar com isso, invista em soluções que simplifiquem e potencializem o modelo.
Plataformas de gestão de talentos ajudam a mapear lacunas de habilidades.
Aqui, aproveite também as soluções baseadas em Inteligência Artificial (IA), uma vez que elas também podem ajudar a identificar lacunas atuais e prever necessidades de competências futuras, além de contribuir para o brainstorming de possíveis soluções.
Já as ferramentas como sistemas de automação de RH garantem que os dados sejam tratados de forma rápida, o que reduz o esforço manual nesse tipo de tarefa
Empresas com recursos limitados podem considerar os investimentos em treinamento altos demais, o que desmotiva a adoção do modelo.
No entanto, felizmente existem formas criativas de superar essa barreira sem comprometer a qualidade:
Com essas alternativas, mesmo organizações com orçamentos limitados podem se beneficiar do modelo Skills First.
O mercado de trabalho está em constante transformação, e o modelo Skills First surge como uma resposta às mudanças rápidas e às demandas crescentes por agilidade organizacional. Com a implementação dessa abordagem, é possível trabalhar para desenvolver um ambiente mais inclusivo, ágil e produtivo, que transforma a forma como contratamos, desenvolvemos e gerenciamos talentos.
Que tal agora você descobrir mais sobre quais são e como desenvolver as Soft Skills necessárias para o profissional de RH. Não deixe de conferir!
Veja as respostas para algumas perguntas comuns sobre o tema.
Como começar a implementar o Skills First na minha empresa?
Comece mapeando as habilidades críticas e utilizando tecnologias para identificar lacunas.
Skills First é aplicável a todas as indústrias?
Sim, mas deve ser adaptado às demandas de habilidades específicas para cada setor.
Como o Skills First impacta a retenção de talentos?
Ao focar no desenvolvimento contínuo de habilidades, aumenta o engajamento e a satisfação dos colaboradores em relação à organização, o que reduz o anseio de buscar novas oportunidades.
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